Nos últimos quinze anos criei, ou estive envolvido no desenvolvimento, de mais de uma dezena de websites. Em regra, todos eles estão direcionados para a promoção de empresas de serviços, com amplas descrições de soluções e conteúdos tendencialmente egocêntricos como o Quem Somos, a Missão e os Valores, a Nossa Equipa e similares.

Um bom website é simples e adaptado ao seu negócio.

A complexidade de construção de um website diminuiu drasticamente na última década. Os templates do Wix ou do WordPress, do Joomla ou da Drupal (já para não falar dos plugins para todos os gostos e excentricidades) retiraram a carga de programação e de desenvolvimento necessário para vermos surgir, meses depois da adjudicação do projeto, um vislumbre do cenário que tínhamos projectado nas nossas mentes.

A construção de um template de contacto, a interligação e gestão da informação com bases de dados, mecanismos de CRM e automatismos similares, eram funcionalidades apenas ao alcance dos mais endinheirados, possuidores de equipas de engenharia internas e departamentos de desenvolvimento de projeto. A maioria contentava-se com umas páginas, um menu e algumas imagens salpicadas por entre linhas e infindáveis parágrafos de texto (acreditando piamente que alguém um dia leria aquela parafernália de “mãos-cheias-de-nada”).

O website representa a sua empresa e ajuda-o na gestão operacional.

O António tem um talho e um fantástico website onde os seus Clientes podem observar as promoções da semana, subscrever uma newsletter (onde se fala de carne de porco, salsichas frescas e de rolos de carne com farinheira). A Maria distribui vegetais hidropónicos através da sua loja online, que permite fazer encomendas, pagar e marcar o dia e a hora para a entrega dos cabazes. O João e a Adélia, ele contabilista e ela educadora de infância, desenvolveram um blogue de conteúdo sobre animais de estimação que possui mais de 25.000 subscritores.

De facto, o mundo mudou muito desde aquela primeira experiência de construção de um website de recrutamento e selecção, em 1995, que custou quase trezentos contos e demorou nove meses para ser entregue, totalmente funcional.

Contudo, existem coisas que continuam a ser tão difíceis hoje como o eram há 15 ou 20 anos. Se bem me recordo, e ao longo dessas experiências todas, o momento verdadeiramente arrepiante acontecia quando a agência contratada para a construção do website (notem que nem me atrevo a falar de estratégia, de posicionamento ou de planeamento de meios…) nos dirigia a pergunta fatal: “então e os conteúdos? Já tem isso pronto? É que se não nos enviarem os textos, não conseguimos cumprir estes prazos!

Desta forma, instalava-se o pânico. O diretor comercial afirmava a pés juntos que não tinha tempo para aquilo. O financeiro muito menos porque percebe é de números. As equipas de gestão porque têm objetivos a cumprir e, tendencialmente, restava o Patrão.

O seu site é “patrão-centric”? Talvez tenha sido ele a escrever os conteúdos…

Ora os Patrões falam patronês (e não há mal nenhum nisso porque é necessário que alguém o faça), têm tendencialmente pouco tempo, mas gostam de falar de si e das suas empresas.

Assim se produziam os suportes escritos, os textos, aquilo que hoje chamamos “conteúdo”, muitas vezes no fim-de-semana antes da data final, ajudados pelo amigo copy/paste. Desta forma, a coisa resultava num posicionamento “patrão-centric” que ninguém se atrevia a criticar, pois também não tinha contribuído.

Curiosamente, este último parágrafo que vos conto no pretérito, poderia ter-se passado aqui na nossa tão trendy Lisboa, ao virar da esquina, na última semana de Abril de 2018.

Às 09:30h da manhã, a agência seleccionada para a construção do website, hoje armada até aos dentes com estratégias de SEO, SEM, SAM, Social Media, RP, Influenciadores e restante arsenal técnico-bélico, reune-se com o seu Cliente e dispara, sem dó nem piedade: “então e os contents? Content is King, man! E a arquitetura do site, já sabem como querem fazer isso? Vocês é que conhecem o business!

E o pânico instala-se. O resto da história já sabem como acaba.

O seu negócio deve contar uma história com autenticidade e propósito.

Na verdade, nem todas acabam assim, mas para que tal não aconteça, não se pode contentar com “encomendar um site”, pois essa é a principal fonte do problema. O seu negócio quer contar uma história, algo com propósito e com valor para os outros, num contexto orientado para aqueles com quem quer conversar e não consigo próprio. O tom e a linguagem serão deles, caso contrário não o entendem.

A genuinidade e a transparência, quando aliados à simplicidade, são ferramentas poderosas que o aproximam do seu público e dos seus resultados. O seu negócio não precisa de um site, necessita de uma plataforma acessível e orientada para os seus objetivos, que comunique o que importante tem para dizer, nos locais certos e no momento próprio.

E se conseguir tudo isso com um papagaio de papel ao invés de um site, não hesite, lance-o ao vento.

 

 

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